Fernando Becker
Podemos
afirmar que existem três diferentes formas de representar a relação
ensino/aprendizagem escolar ou, mais especificamente, a sala de aula: Pedagogia
diretiva, pedagogia não-diretiva e pedagogia relacional.
Na pedagogia
diretiva, um professor observa seus alunos entrarem na sala, aguardando que se
sentem e fiquem quietos. As carteiras estão devidamente enfileiradas e
suficientemente afastadas umas das outras para evitar que os alunos troquem
conversas. Se o silêncio e a quietude não se fizerem logo, o professor gritará
para um aluno, até que a palavra seja monopólio seu. Quando isto acontecer, ele
começará a dar a aula. E nesta aula o professor fala e o aluno escuta, o
professor dita e o aluno copia, o professor decide o que fazer e o aluno
executa, além disso, o professor ensina e o aluno aprende. Uma justificativa
para tal atitude do professor que age sim é porque ele acredita do mito da
transmissão do conhecimento.
Segundo a
epistemologia que subjaz à prática desse professor, o indivíduo, ao nascer,
nada tem em termos de conhecimento: é uma folha de papel em branco; é tabula
rasa. É assim o sujeito na visão epistemológica desse professor: uma folha em
branco. Então, de onde vem o seu conhecimento (conteúdo) e a sua capacidade de
conhecer (estrutura)? Vem do meio físico e/ou social. O aluno não só é
considerado uma tábula rasa quando nasceu, mas frente a cada novo conteúdo
estocado na sua grade curricular. Nessa concepção é o professor que determina o
aluno. Sendo assim, o ensino e aprendizagem são polos dicotômicos: o professor
jamais aprenderá e o aluno jamais ensinará.
Na pedagogia
não-diretiva, O professor acredita que o aluno
aprende por si mesmo. Ele pode, no máximo, auxiliar a aprendizagem do
aluno, despertando o conhecimento que já existe nele. -Ensinar? -Nem pensar! O professor, imbuído de uma
epistemologia apriorista - inconsciente, na maioria das vezes - renuncia àquilo
que seria a característica fundamental da ação docente: a intervenção no processo
de aprendizagem do
aluno.
Nesta relação,
o polo do
ensino é desautorizado
e o da aprendizagem
é tornado absoluto. A relação vai
perdendo sua fecundidade na exata medida em que se absolutiza um os polos.
Em outras palavras,
a relação torna-se
impossível na medida
mesma em que retende
avançar. Ensino e
aprendizagem não conseguem
fecundar-se mutuamente: a aprendizagem por
julgar-se autossuficiente e
o ensino por
ser proibido de
interferir. O resultado é um
processo que caminha inevitavelmente para o fracasso, com prejuízo imposto a
ambos os polos. O professor é despojado de sua função, “sucateado”. O aluno
guindado a um status que ele não tem e sua não aprendizagem explicada como
“déficit herdado”; impossível, portanto, de ser superado.
Na pedagogia
relacional, O professor não acredita no ensino em seu sentido convencional ou
tradicional, pois não acredita que um conhecimento e uma condição prévia de
conhecimento possam transitar, por força do ensino, da cabeça do professor para
a cabeça do aluno. Não acredita na tese de que a mente do aluno é tabula
rasa, isto é,
que o aluno,
frente a um
conhecimento novo, seja
totalmente ignorante e tenha que aprender tudo da estaca zero. Ele
acredita que tudo o que o aluno construiu até hoje em sua vida serve de patamar
para continuar a construir e que alguma porta abrir-se-á para o novo
conhecimento - é só questão de descobri-la: ele descobre isto por construção.
Síntese da discussão em sala de
aula
Foi
possível notar durante as discussões em sala de aula uma espécie de
favorecimento da postura relacional, muito dos grupos definiram esta como o
“ideal” de uma boa prática de ensino, entretanto, ao longo da discussão, foi
possível notar que não é possível adotar uma postura fixa.
Notamos
então que na realidade a postura adotada sofre de um hibridismo, por exemplo,
um professor pode ter uma aula expositiva com certas características construtivistas, essa aula pode ser ótima, atraente para os alunos.
Foi
citado a questão do cumprimento do currículo, e como determinadas práticas
acabam não se tornando viáveis por falta de tempo, vem então novamente a
necessidade desse professor utilizar de tendências hibridas, ele deve alocar
certas atividades atípicas em espaços que
possivelmente não são facilmente adquiridos, necessita de uma boa administração
do tempo, nota-se então mais uma qualidade do professor, a característica de
cumprir o currículo e acrescentar coisas novas com um espaço limitado, sugestionaremos
então os adjetivos “pragmático” e “versátil”.
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