sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Resumo – Conscientização, teoria e prática da libertação: uma introdução ao pensamento de Paulo Freire

No livro Conscientização, teoria e prática da libertação: uma introdução ao pensamento de Paulo Freire nos apresenta como se originou a categoria conscientização nos escritos freireanos. O livro apresenta-se com vários participantes, incluindo Freire, que descreve sobre o início de sua trajetória histórica até seu refúgio para o exílio. A obra ainda destaca a defesa de Paulo Freire no tocante a uma prática político-pedagógica, que apresente equidade entre os educadores e os educandos na construção de um caminho mais harmônico em busca do saber.
Paulo Freire evidencia o processo de formação de uma consciência crítica em relação aos fenômenos da realidade objetiva que é apresentada por meio da interdependência entre o compromisso ético-político-social e o fazer pedagógico. A partir da leitura desta obra, é possível observar que estamos em pleno desafio de sermos indivíduos em constante mudança, para assim reinventarmos a nossa prática educativa; pois o conhecimento não se dá fora do processo de conscientização. Conhecer a conscientização de Freire não se trata apenas de conhecer a realidade e descrevê-la, mas sim, trata-se de reconhecer e modificá-la, repoblematizá-la com o intuito de superar desafios no interior da comunidade na qual aquele sujeito está inserido. Implicando, desta forma, em um compromisso com a sociedade e com nós mesmos, como sujeitos que fazem e refazem o mundo e sua própria história.
É necessário definir conscientização. Ela, a conscientização não está baseada sobre a consciência, de um lado, e o mundo, de outro; por outra parte, não pretende uma separação. Ao contrário, está baseada na relação consciência – mundo.
 A conscientização é uma categoria em que Freire evidência o processo de formação de uma consciência critica em relação aos fenômenos da realidade objetiva. Nesse sentido a transformação passa necessariamente pelo desenvolvimento coletivo de uma consciência critica sobre o real, e, portanto pela superação das formas de consciência ingênua. É importante que neste processo de conscientização os sujeitos se reconheçam no mundo e com o mundo, havendo a possibilidade de que, na transformação do mundo haja uma transformação de si mesmo. Pensando num sentido politico de conscientização de acordo com Freire, abrange a consciência de classe, como o processo pelo qual as classes desfavorecidas se reconhecem enquanto classe.
Mas, para Freire isto ainda não bastava, era necessário ir além. Era preciso uma conscientização crítica, dito de outra forma, seria um olhar diferente sobre o meio onde se esta inserido. No entanto, para que o indivíduo chegasse a essa consciência ele deveria percorrer alguns caminhos: passaria primeiro por uma tomada de consciência, mas essa ainda não seria a crítica. Pois o indivíduo ainda perceberia a realidade de uma maneira ingênua, ou seja, apresentaria um quase “incompromisso” com a existência. Por isso, neste: “[...] nível espontâneo, o homem, ao aproximar-se da realidade, faz simplesmente a experiência da realidade na qual ele está à procura (Freire, 2005, p. 30)”.
Já em um segundo momento, ele chegaria à conscientização, que seria um desenvolvimento crítico da tomada de consciência: [...] “A conscientização implica, pois, que ultrapassemos a esfera espontânea de apreensão da realidade para chegarmos a uma esfera crítica [...] (Freire,2005, p.30)”. Seria o que Paulo Freire denominou de práxis, pois esta faz com que o indivíduo esteja frente à realidade de opressão que o cerca, a saber: analfabetismo, crises políticas e sociais; aspectos que empurram o cidadão comum a uma condição subalterna diante das classes dominantes.
O desenvolvimento de tal nível de consciência acerca das relações sociais de produção que compõem a realidade objetiva é, neste sentido, a arma de luta dos oprimidos para vencerem a opressão. Diante deste arcabouço teórico, proposto pela compreensão de Paulo Freire frente à conscientização para o processo educacional, acreditamos que a formação de professores de Educação Básica também deve ser considerada um ato da “práxis educativa”. Para, assim, incitar nos participantes destes cursos o desejo de lutar não só pela liberdade dos seus alunos, mas, acima de tudo, serem agentes da sua própria liberdade enquanto educadores. Desvestindo, quem sabe definitivamente, o nosso sistema educacional da “roupagem alienada e alienante” (FREIRE, 1979, p. 36).
Por isso, que a formação do educador deve estar pautada em uma educação conscientizadora, que rompa com a ideologia de uma sociedade neoliberal. Apresentando-se como uma formação democrática em que formadores e formandos estejam em constante dialogismo. Portanto, faz-se necessário que essa contribua na construção de sujeitos críticos e autônomos sobre sua prática.
É assim que a educação, sem a qual a transformação não se faz, quando voltada diretivamente para uma prática da liberdade inclui neste processo necessariamente o desenvolvimento de uma consciência crítica em relação à liberdade que condiciona as pessoas socialmente. Neste sentido, a formação de uma consciência critica em conjunto com grupos é a condição fundamental para a transformação, ou seja, a base da sustentação para a produção de uma nova organização social onde não se negue aos seres humanos a sua razão de existir, a busca continua do vir a ser ou a busca do ser mais.
Para Freire a conscientização é tomar posse da realidade; por esta razão, e por causa da radicação utópica que a informa, é um afastamento da realidade. A conscientização produz a desmitologização. Quanto mais conscientizados nos tornamos, somos capazes de anunciar, denunciar, refletir e tomar atitudes que gerem transformação.
Dessa forma, entendemos que Paulo Freire, especialmente o livro Conscientização, teoria e prática da libertação: uma introdução ao pensamento de Paulo Freire estava totalmente convencido de que a educação precisaria ser vista como prática para a liberdade.
A aprendizagem não pode ser monolítica, verticalizada, mas, sim, praticada de forma horizontal entre o formador e o formando. Buscando coletivamente uma educação conscientizadora e libertadora. Numa troca constante de conhecimentos. É preciso que o formador crie possibilidades, para que o sujeito - que se apresenta em um nível de conhecimento “ingênuo” ultrapasse para o nível de conhecimento “crítico”- chegue, portanto, a conscientização e libertação.
Mas, mesmo atingindo certo grau conscientização ainda não poderia se dar por satisfeito. Freire (2005) nos diz que: “[...] A criação da nova realidade, tal como esta indicada na crítica precedente, não pode esgotar o processo da conscientização. A nova realidade deve tomar-se como objeto de uma reflexão crítica.” [...] (Freire, 2005.p.31) Na verdade, a cada descoberta, a cada “solução” devemos questionar: Até que ponto descobrimos uma nova realidade? A conscientização, como atitude crítica se presentará como um “circulo vicioso” jamais será terminada.
A formação de uma consciência crítica coletiva é a condição fundamental para a transformação, ou seja, a base de sustentação para a produção de uma nova organização social onde não se negue aos seres humanos a sua razão de existir: a busca constante do vir a ser, ou o ser mais.
Partindo da visão dialética da relação ser humano/mundo, ambos inacabados, Paulo freire desenvolveu sua compreensão acerca de uma Educação como Prática de Liberdade, sobre a qual, nós, seres humanos, na constante busca de sermos mais, transformamos a realidade objetiva e os efeitos desta transformação refletem-se na transformação de nós mesmos. Por isso é que Paulo Freire diz que será pelo aprofundamento de uma consciência crítica que nos conscientizaremos da realidade, sendo capazes de transformá-la, pois a consequência da conscientização é o compromisso dos seres humanos com o mundo, já que criticamente conscientes de nossa realidade de opressão, seremos capazes de realizar uma ação que vise sua superação.
Compromisso com o mundo e, portanto, também com nós mesmos, como sujeitos que fazem e refazem o mundo e assim sua própria história. Neste instante, a conscientização não se encontra mais somente na relação consciência/mundo, mas transcende, convidando-nos a assumirmos uma posição utópica frente ao mundo.
Saber que não apenas estamos no mundo, mas com o mundo e também pelo mundo; da mesma forma, que somos seres condicionados e não determinados, e que, portanto, nossa possibilidade de transformar a realidade que nos oprime e nos explora é a mesma possibilidade dialética que rege a história da humanidade e nos permite produzir novas formas de viver em sociedade. Saber que sonhar o sonho coletivo, que é um sonho acordado, real, passa pelo desejo de uma forma justa, fraterna e humana de viver em sociedade; este é o primeiro passo para a transformação social. Saber que a utopia é possível.
A conscientização, no modo como a compreendemos, é o processo de desenvolvimento de saberes verdadeiro a respeito das condições materiais nas quais os indivíduos se encontram seu papel no modo de produção, sua situação de classe. O movimento de transformação – mudança radical da forma – da prática social dos indivíduos requer primeiro, uma mudança tal em sua compreensão de mundo, que suas ideações se deem no sentido do desenvolvimento de práticas condizentes com a vocação ontológica do ser humano, que é superar sua condição desumanizadora que lhe impõem o atual modo de produção.
Os saberes hegemônicos que nossa sociedade desenvolve são saberes que dissimulam a existência das relações opressivas nas quais está ancorado o modo de produção das condições materiais de reprodução da própria sociedade. A Educação como Prática de Liberdade é, assim, o movimento contra hegemônico de produção de saberes que denuncia a luta de classes, que no sentido freireano, pronuncia o mundo para poder modificá-lo, que quer possibilitar ao indivíduo desenvolver a consciência real sobre as relações que o oprimem.
A luta de classes é, não exclusivamente, mas, sobretudo, uma luta pela consciência do proletariado, o movimento histórico da burguesia sobre a classe trabalhadora no sentido de impedir o desenvolvimento de sua consciência de classe, neutralizar a sua mais valiosa arma de luta. Quanto mais o oprimido conhecer sobre a sua situação de opressão, tanto mais lhe será possível desenvolver práticas sociais cuja consequência se materializará na forma de outro mundo possível e necessário.
Pelo exposto podemos compreender que somente nós, seres humanos, somos capazes de agir conscientemente sobre a realidade objetivada, pelo poder da ideação, que consiste em conseguirmos projetar em nosso cérebro o resultado daquilo que faremos o que nos difere dos animais, cuja prática é fruto de instintos, por se tratarem de seres de contato e não de relações como nós. Por esta condição de seres de relações, de seres sociais que fazem a própria história, está nas mãos da humanidade a possibilidade de romper com as relações opressivas de produção que se apresentam como um empecilho à humanização do humano.Paulo Freire chama a conscientização de compromisso histórico, pois implica no nosso.
Assim é que cada relação dos seres humanos com a realidade apresenta-se como um desafio ao qual precisa ser respondido de maneira original, pois não há modelo típico de resposta, senão tantas respostas quantos são os desafios, logo a resposta que cada um de nós dá a um desafio não transforma apenas a realidade com a qual nos confrontamos, mas a nós mesmos, cada vez mais e sempre de modo diferente.




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